O adiamento (procastinação)

Sobre o adiamento...

Lembro-me de uma palestra escrita por um frater rosacruz, na qual fazia referência a algumas coisas consideradas negativas e perguntava depois de comentar sobre cada uma delas:
 "Vale a pena viver pelo(a)...". O adiamento era um desses itens. Desde então tenho, às vezes até sem querer, prestado atenção ao adiamento e às causas que levam as pessoas a praticá-lo.
Uma das causas parece estar relacionada ao fator de termos à  nossa disposição ou termos facilidade de acesso ao objetivo.
Sempre conto a história do Sr. Elias. O Sr. Elias trabalhava no  Banco do Brasil, junto comigo. Eu no começo da carreira e ele já  quase se aposentando como Contínuo, no mesmo cargo em que havia sido 
admitido há 30 ou mais anos atrás. Ele adorava pescar e muitas  vezes saia do Banco após um dia de trabalho, viajava 200 km até um rio da região pescava durante a noite e voltava pela madrugada. No dia seguinte estava lá ele de volta ao trabalho bem de manhã. Sempre afirmava - "quando me aposentar, vou pescar quase todo dia...". Então chegou a esperada aposentadoria. Seis meses depois encontrei-me com o Sr. Elias, curioso perguntei -- então Sr. Elias, tem pescado muito? Para meu espanto ele disse-me 
que não tinha ido mais pescar, alegando não ter tempo, estava agora envolvido em cuidar dos netos, leva-los à escola..., e absolvido também com as lides de casa e da família.
Pensei muito sobre o que o levou a não mais pescar e formei uma teoria sobre isto:
" o fato de não ter ido mais deve-se ao fato de que depois de ter se aposentado ele tinha o PODER de ir pescar A QUALQUER MOMENTO, portanto ele não precisava ir hoje, podia deixar para amanhã ou para o fim de semana. Na verdade ele tinha o DOMÍNIO da situação e podia usufruir dela a qualquer tempo, isto o fazia adiar". Casos como o do Sr. Elias, se observarmos são bem comuns, talvez não com o objeto "pesca" mas com outras coisas ou situações
Outro exemplo comum é o caso de um outro colega do banco, este mais recente. Ele foi transferido de Vitória(ES) para Brasília. E logo que chegou a Brasília, reclamava da cidade não possuir 
praias. Ao que perguntei a ele quantas vezes havia ido à praia no ano que se passara, ele respondeu meio acabrunhado "... uma vez ou duas acho".  Bem eu que moro a 1200 km da praia, havia passado uma semana na praia nas últimas férias e tinha ido à praia por 7 dias, portanto várias vezes a mais do que ele. O que o levava a não usufruir da praia de que diz tanto gostar? Mais uma vez, o fato de tê-la a poucos metros, ali toda disponível.
Podemos também fazer uma analogia com os casais enquanto namoram e ficam por menos tempos juntos. Nesta situação aproveitam o tempo para fazer coisas que gostam juntos, agradar um ao outro ao 
máximo. Depois que se casam, vem a convivência por mais tempo, e  com ela a proximidade e a sensação da facilidade de poder fazer as coisas a qualquer momento, então muitas vezes optam pelo 
"adiamento".
Volta a pergunta da palestra que citei no início:
"Vale a pena viver pelo adiamento ?"
"
Aquilo que temos disponível, mesmo gostando muito, geralmente adiamos para curtir mais tarde. O problema é que o 'mais tarde' é como a cenoura amarrada na frente da cara do cavalo, pode nunca chegar." Tony Arlen

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