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Mostrando postagens de abril, 2026

Armazém dos sonhos

🖋️ O Armazém dos Sonhos Havia um dia em que eu não tinha mais sonhos. Não era tristeza escancarada, nem dor que grita. Era pior. Era um vazio silencioso — daqueles que não incomodam o suficiente para serem resolvidos. Foi então que bati à porta do Armazém dos Sonhos. Não sabia exatamente onde ficava, mas, curiosamente, quem precisa muito sempre encontra. O guardião atendeu. Não parecia surpreso. Talvez já estivesse acostumado com gente como eu — os que chegam sem nada por dentro. — Vim buscar um sonho — eu disse, sem rodeios, como quem pede um copo d’água. Ele me olhou com calma. — Os sonhos que estão aqui foram criados por seus próprios sonhadores. E só podem ser usados por eles. Aquilo me soou injusto. — Então me empreste um — insisti. — Prometo devolver depois de realizá-lo. Ele negou. Sem dureza. Mas com uma firmeza que não abre brechas. E então disse algo que me atravessou: — Volte para sua caverna. É de lá que os sonhos nascem. Crie o seu. Depois volte. Saí de lá frustrado. Conf...

Semana Santa da Alma

 Semana Santa da Alma Da calçada dura da rua, observei a entrada do Filho do Homem, não numa Carruagem de Fogo apocalíptica, mas no lombo de um jumentinho. Fui repreendido ao tentar comprar algo para sacrifício dos vendilhões do Templo. Presenciei incrédulo os seus ensinamentos e curas Vi seu confronto com líderes religiosos, demonstrando sabedoria acima dos homens, refleti sobre os dois filhos e lavradores maus e suas recompensas, mas entendi que não era comigo que falava  Quando o vi em silêncio e preparação, tentei recolher-me ao meu anterior, mas fiquei mais interessado, na unção do perfume pela mulher. Observei a conspiração dos líderes religiosos,  receosos de perderem o poder.  E vi um dos seus escolhidos, na triste sina da traição: -ai daqueles pelo qual o mal vem ao mundo -- Senti fome material e espiritual observando a santa ceia. Vi meus pés sujos da estrada da vida, como se estivessem sendo lavados. Chorei com ele no Getsêmani de minha alma, vendo algo in...

Sinfonia da Paixão

Sinfonia da Paixão **O Jumentinho e a Glória** Do alto do monte, o Mestre avistou o cimo, não em cavalos de guerra, mas no lombo da humildade. A humanidade sorridente, adversa, fita-o e conversa, lançando ramos que o tempo logo jogaria no passado. O Rei entra na cidade-cápsula do tempo, sabendo que a glória de hoje é a poeira de amanhã. **A Figueira e o Templo** Olhou a figueira, mística materialista, tinha folhas e aparências, mas faltava-lhe o sumo do Ser. Secou-se o tronco, quebrando aos poucos, pois o que não dá fruto, não suporta a intempérie. Depois, no Templo, o chicote de cordas: Expulsou os vendilhões que mediam a fé com moedas, pois quando se utilizam medições para avaliar o Divino, os instrumentos tornam-se as armas do crime contra o Espírito. **A Ceia e o Jardim** "Tomai e comei", disse Ele, o Gafanhomem Santo, mas aqui, a vida não devora a vida para o fim, mas para a permanência infinita. No Getsêmani, a gota de suor como gota d'água rolou do rosto ao chão...