Sinfonia da Paixão

Sinfonia da Paixão **O Jumentinho e a Glória** Do alto do monte, o Mestre avistou o cimo, não em cavalos de guerra, mas no lombo da humildade. A humanidade sorridente, adversa, fita-o e conversa, lançando ramos que o tempo logo jogaria no passado. O Rei entra na cidade-cápsula do tempo, sabendo que a glória de hoje é a poeira de amanhã. **A Figueira e o Templo** Olhou a figueira, mística materialista, tinha folhas e aparências, mas faltava-lhe o sumo do Ser. Secou-se o tronco, quebrando aos poucos, pois o que não dá fruto, não suporta a intempérie. Depois, no Templo, o chicote de cordas: Expulsou os vendilhões que mediam a fé com moedas, pois quando se utilizam medições para avaliar o Divino, os instrumentos tornam-se as armas do crime contra o Espírito. **A Ceia e o Jardim** "Tomai e comei", disse Ele, o Gafanhomem Santo, mas aqui, a vida não devora a vida para o fim, mas para a permanência infinita. No Getsêmani, a gota de suor como gota d'água rolou do rosto ao chão, adubando o solo com agonia. O vigia não velou por si próprio, e o Mestre sentiu o peso de ser uma obra de Alguém. **A Cruz e o Além** Na via crucis moderna ou antiga, o carma bate e a alma adivinha um novo sonho, um novo mito. Erguido na haste, abandonando o seu caule, tornou-se verdadeiramente Rosa para que pudéssemos entender. Morreu envolto em dor e tristeza dos outros, sorrindo para o Pai, transpondo enfim a casca. **O Domingo** O abismo que parecia ter fim, revelou-se eterno. A pedra no caminho foi removida pelo sopro do Infinito. Não foi uma imortalidade morta, mas um renascer do barro. O Cristo ascensão a Deus, voltando à terra natal, mostrando que a reta da morte, na verdade... também é uma linha curva que retorna à Vida. --- *Quando a vida se choca consigo mesma, voam... voam...* ***Estilhaços.***

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