Semana Santa da Alma

 Semana Santa da Alma


Da calçada dura da rua, observei a entrada

do Filho do Homem, não numa Carruagem de Fogo apocalíptica,

mas no lombo de um jumentinho.


Fui repreendido ao tentar comprar

algo para sacrifício dos vendilhões do Templo.

Presenciei incrédulo os seus ensinamentos e curas


Vi seu confronto com líderes religiosos,

demonstrando sabedoria acima dos homens,

refleti sobre os dois filhos

e lavradores maus e suas recompensas,

mas entendi que não era comigo que falava 


Quando o vi em silêncio e preparação,

tentei recolher-me ao meu anterior,

mas fiquei mais interessado,

na unção do perfume pela mulher.


Observei a conspiração dos líderes religiosos, 

receosos de perderem o poder. 

E vi um dos seus escolhidos,

na triste sina da traição:

-ai daqueles pelo qual o mal vem ao mundo --


Senti fome material e espiritual

observando a santa ceia.

Vi meus pés sujos da estrada da vida,

como se estivessem sendo lavados.


Chorei com ele no Getsêmani de minha alma,

vendo algo inexorável se abatendo

com a prisão material de meu corpo 


Ah os religiosos e políticos,

soberbos e corruptos julgando inocentes.

Vi seu outro melhor amigo,

negando-o três vezes.


Observei com lágrimas nos olhos,

mas ainda distante sua flagelação e condenação.

Acompanhei sua caminhada,

Mas fui covarde em ajudar a carregar a cruz.


Olhei-o sendo erguido num madeiro,

entre dois ladrôes e pensei,

que pensei que poderia ser um deles

mas nem disso me julguei dígno.


Desceram-no do madeiro.

Acompanhei o fechamento do Santo Sepulcro,

Com uma certa esperança que aquilo 

era tudo um pesadelo.


Seu corpo no sepulcro, 

vigiado por guardas, medrosos de sua volta...


Vi os discípulos em luto, 

sem a presença do Mestre,

tristes, deseperançosos


Eis que o sepulcro é aberto,

e ele ressurge não o mesmo, mas glorificado

Vi estampado no rosto das mulheres.

a estupefação, onde está ? Para onde foi?


Finalmente a aparição aos seus discípulos

também incrédulos, querendo tocar em suas feridas


Tudo isto eu vi, mas envolto

em uma redoma protetora como tendo um sonho,

ou como se ouvisse uma nova parábola 

de meu Mestre.


Tony Arlen 05/04/2026

Domingo de Páscoa.





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